Cada um dos atores de “BURLESCAS” tem uma linha de pesquisa e atuação muito bem definida, fato este que influencia diretamente no processo de construção das personas criadas pelo elenco.
A peça inicia com a introdução do espectador no universo da construção da imagem e do plano das ideias. Depois, volta-se para números performáticos em que o grupo “encarna” personas questionadoras, provocadoras e fetichistas. Giorgia Conceição trabalhou com a brasilidade em busca de uma identidade nacional, como Carmen Miranda e Elke Maravilha, Léo Glück aborda a violência, o totalitarismo e a dominação em questões ligadas a gênero, corpo e mente. Henrique Saidel trabalha com a artificialidade e a manipulação de títeres e brinquedos para questionar o que é natural. As performances, por vezes, são concomitantes, aliadas a projeções de vídeos produzidos especialmente para a peça. A sonorização e a direção musical — elementos com papel preponderante no contexto da peça — tem a assinatura de Jo Mistinguett, sucesso entre o público underground e uma das apostas mais promissoras do electro punk nacional.
“BURLESCAS” proporciona uma relação mais ativa entre obra e público, que circula livremente pelos ambientes, assiste às apresentações, interage com o que está acontecendo e também com os outros espectadores na medida em que assim quiser, elemento que torna cada apresentação diferente e única. Quem acompanha pela internet desenvolve o fetiche do voyeurismo propiciado pela peça.
A arte do burlesco — surgida inicialmente na literatura parodística de textos clássicos — surgiu em diversos momentos no processo criativo da Companhia Silenciosa. Como não interessaria à Companhia unicamente voltar ao “burlesco clássico”, a reelaboração dos conceitos burlescos é o mote principal, desde a arte de burlar até os números sensuais, de striptease e Pole Dance. A Companhia apoia-se fortemente no conceito de criação cênica contemporânea em processo (work in progress), desenvolvido pelo diretor, performer e teórico brasileiro Renato Cohen e o revisita.
Concepção, Direção e Atuação: Giorgia Conceição, Henrique Saidel e Léo Glück Direção Musical: Jo Mistinguett Direção de Movimento e Vídeos: Angelo Luz Figurino: Amabilis de Jesus Cenário: Henrique Saidel Maquiagem: Léo Glück Iluminação: Wagner Correa Assistentes de Palco: Ricardo Nolasco e Cacá Bordini Produção: Meio-Fio Cultural - Dayana Zdebsky Realização: Companhia Silenciosa