Corrupção, vaidade, ódio, poder, mídia, ganância e mortes. Até quando?
Dia 25 de abril de 2003, sexta-feira, 21 horas, estréia no Teatro Sérgio Cardoso o espetáculo Os Collegas, com a Cia. Bendita Trupe, sob a direção de Johana Albuquerque. A peça estréia num novo espaço, a Marcenaria de Atores, um pequeno galpão no Teatro Sérgio Cardoso, onde será implantado, a partir de maio, o projeto Línguas do Poder, uma série de eventos e oficinas em torno dos bastidores do poder no Brasil.
O texto de Os Collegas, criado em processo colaborativo, trata dos bastidores do poder brasileiro na era Collor a partir de umapesquisa de fontes documentais da época. O resultado é uma tragicomédia documental, que mistura realidade e ficção, numa leitura crítica e paródica da história, a partir do imaginário popular e da riqueza jornalística sobre o período.
O processo de construção do espetáculo foi longo. A criação durou dezesseis meses de pesquisa, em que foram feitas oito oficinas de formação, mais de cem cenas improvisadas, setenta e duas horas de fitas gravadas, oitenta páginas transcritas do vídeo para o papel e nove versões do texto.
A Cia. Bendita Trupe foi vencedora da concorrência do Projeto Residência da Secretaria de Estado da Cultura em 2002. Com essa premiação o grupo ocupou a Oficina Cultural Oswald de Andrade, de outubro a dezembro, culminando com a apresentação de cinco ensaios abertos do espetáculo Os Collegas no ano passado.
Para trabalhar com a realidade dos fatos, Johana Albuquerque optou por trabalhar com os nomes reais em cena. Todos os personagens, de Pedro a Leda Collor, passando pelo motorista Eriberto França não tiveram seus nomes trocados. Os Collegas não se limita à era Collor. O espetáculo faz uma conexão com o presente citando fatos e personagens que ocupam a imprensa nos dias de hoje, cruzando Jader Barbalho e Silveirinha com Paulo César Farias, apontando sinais de parentesco em seus métodos de corrupção.
A extensa pesquisa realizada e a construção de um texto contundente fazem de Os Collegas um espetáculo insólito. Além de rememorar a geração da época e trazer elementos novos aos jovens que ouviram falar de um presidente deposto, a peça provoca na platéia a catarse da comédia ácida para relembrar a incompetência brasileira.
Os Collegas é uma tragicomédia documental sobre os bastidores da política do trabuco no centro do poder em Brasília, parodiando fatos e personagens da Era Collor.
Para entender e teatralizar os métodos dito oficiais em nosso país, a equipe de criação do espetáculo Os Collegas, se utilizou de várias técnicas narrativas, estudos da relação entre teatro e documentário, leituras de textos dramáticos da dramaturgia clássica e contemporânea sobre a temática do poder (Ésquilo, Shakespeare, Shiller, Brecht, Oswald de Andrade...) e pesquisa em fontes de referência: do jornalismo em suas várias modalidades (TV, rádio, mídia impressa) a programas humorísticos; de telenovelas a programas de auditório; das performances e discursos de campanha a postura oficial dos vitoriosos empossados; das imagens de arquivo a "presenças fantasmas" de políticos da nossa história; do meta-teatro (processos, julgamentos, comissões de inquérito) a depoimentos dos ” descamisados” - mais objetos que sujeitos dessa história.
Segundo a diretora Johana Albuquerque, “além de todos esses suportes, a construção e ordem das cenas buscaram imprimir a idéia de caleidoscópio, em que os espectadores são jogados em várias direções, num zoom in/zoom out, como num filme fragmentado em que a câmera amplia e reduz os contextos apresentados. Os Collegas é um espetáculo que busca, mais do que um teatro político no estrito sentido ideológico, uma radiografia dos usos e costumes que revelam a depauperação do Estado e da sociedade civil brasileira. Não se trata de fazer uma tese sobre o poder público, mas sim, provocar um ruído de estilo; operar uma viagem temática, estética e lingüística sobre o ”surrealismo brasileiro", que faz sempre da realidade algo mais potente e inverossímil do que qualquer ficção que se possa inventar”.
A Bendita Trupe é uma companhia de atores encabeçada pela diretora Johana Albuquerque e tem como linha de pesquisa a encenação de jovens autores contemporâneos e a criação de espetáculos em "processo colaborativo". Foi o caso de Banheiro, de Pedro Vicente (1994/1995), É o fim do Mundo!, de Renato Modesto (1997/1998) e Corda Bamba, de Lygia Bojunga (2000/2001).
Johana Albuquerque também é pesquisadora teatral, e atualmente coordena a Enciclopédia de Teatro Brasileiro para o Itaú Cultural, projeto originalmente concebido pelo famoso crítico carioca Yan Michalski.
Texto Bendita Trupe
Elenco
Jacqueline Obrigon/Daniel Alvim/Maurício de Barros/Vera Villela/Adriana Pires/Germano Melo
Trilha Sonora Morris Piccioto
Iluminação Marisa Bentivegna
Cenário Cristiane Cortilio
Figurinos Olintho Malaquias/Márcia Nachbar Assistente de Direção René Piazentin
Assessoria de Imprensa
Canal Aberto – Márcia Marques
Concepção e Direção Johana Albuquerque
Realização eProdução Bendita Trupe
Estréia: 25 de abril – sexta-feira, 21 horas, para convidados - até 12 de outubro/2003
Atenção: domingo, dia 27 de abril, o espetáculo será, excepcionalmente, às 18 horas.
Local: Teatro Sérgio Cardoso - Marcenaria - Rua Rui Barbosa 153 - Bela Vista - Telefone: (11) 288-0136
Temporada: 5ª a Sábado às 21h e Domingo às 20h Lotação: 80 lugares Duração: 90 min.
Ingresso: R$ 15,00 – Estudantes e classe artística pagam meia
Horário da bilheteria: 15h às 21h nos dias de espetáculo, para venda antecipada, das 15h às 19h.
Canal Aberto - Márcia Marques - Fone: 11 - 3081-7972/ 3062-6310/9126-0425