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Teatro da Vertigem comemora 25 anos

 

Para festejar a data, o Teatro da Vertigem encena seu mais recente espetáculo Enquanto Ela Dormia, realiza mostras de vídeos de O Paraíso PerdidoO Livro de Jó e Apocalipse 1,11, oferece laboratórios cênicos, rodas de conversas e exposições com fotos projetadas

 

“(...) O ônibus não 'tava’ tão cheio. Ele não precisava 'tá’ tão grudado em mim. Eu olhei pra cara dele. Ele fingiu que não viu e continuou se roçando no meu braço. Eu tirei o braço. Guardei o livro. Me levantei.(...)”
 

Movimentos corporais expressivos, recomposições de espaços e investigações do ator. Essas são as principais características do trabalho desenvolvido pelo Teatro da Vertigem, grupo de grande relevância para a cena artística do Brasil. Com o intuito de celebrar o aniversário da companhia, foi programada uma mostra de 25 anos. A proposta é relembrar e transmitir os modos e meios de produção dos trabalhos do grupo. Fazem parte da programação apresentações do espetáculo “Enquanto Ela Dormia” (com dramaturgia nascida no Núcleo de Dramaturgia SESI – British Council e indicado ao Prêmio Shell de cenografia), laboratórios de criações cênicas, acompanhamentos de montagens, rodas de conversas, mostras de filmes e exposições com fotos projetadas.

O grupo tem uma parceria longeva com a Petrobras - um patrocínio de 12 anos já – e faz essa circulação pelos espaços culturais de São Paulo com apoio da Secretaria Municipal de Cultura do município. A peça Enquanto Ela Dormia fez sua estreia e primeira temporada em 2018 no mezanino do Centro Cultural Fiesp, em São Paulo.
 

Mostra Teatro da Vertigem 25 Anos

A Mostra Teatro da Vertigem 25 Anos propõe uma troca de conhecimentos que permite discutir os processos da companhia. Para entender o desenvolvimento da montagem de um ato, laboratórios de criação cênica serão conduzidos pela diretora Eliana Monteiro. A programação traz a apresentação e história do grupo, exibições de filmagens dos espetáculos, exposições de fotografias que se tornaram referências da companhia e rodas de conversas que propõem discussões sobre a cidade, o teatro, os espaços e as criações.
 

Enquanto Ela Dormia

Construído a partir de uma pesquisa sobre a violência contra a mulher e as relações de poder entre os gêneros, o processo de criação da peça “Enquanto Ela Dormia” foi norteado por visitas às delegacias e pelas escutas de depoimentos de vítimas. Com texto de Carol Pitzer e direção de Eliana Monteiro, o monólogo parte de uma linha cronológica das dores do feminino, como, por exemplo, os pés de lótus das mulheres chinesas e a expulsão da deusa Lilith do Paraíso.

O espetáculo é inspirado na versão de 1648, a primeira do conto “A Bela Adormecida”, e fala de Dora, papel interpretado pela atriz Lucienne Guedes. A personagem, uma professora de literatura, presencia uma cena de abuso em um ônibus e sofre ao relembrar os traumas de infância. Para a diretora, “o espetáculo é um mergulho na geografia da dor das mulheres e uma provocação ao que está acontecendo na nossa sociedade”.

O argumento do texto nasceu do relato de uma amiga à dramaturga, que começou então a observar os abusos diários vividos pelas mulheres e a se questionar sobre os mecanismos usados para minimizar, esconder, disfarçar, apagar essas violências. “Percebi que não só a sociedade nos cala, mas que nosso próprio corpo apaga certas lembranças dolorosas como forma de nos manter vivas”, conta Carol.

Para elaborar a encenação, a diretora Eliana Monteiro propôs uma pesquisa artística a toda equipe de criação sobre três eixos temáticos. “O primeiro foi o dos contos de fadas, que participam da construção do imaginário universal do feminino. Outro eixo pesquisado foram as histórias de amputações as quais a mulher foi submetida para caber em uma sociedade patriarcal. E por último, as memórias de uma história de amor”, explica Eliana.

Fruto de um processo colaborativo, a peça Enquanto Ela Dormia apresenta uma investigação no campo das artes plásticas e da fotografia, em especial a obra da fotógrafa norte-americana Francesca Woodman.
 

Teatro da Vertigem

Formada no início da década de 90 por estudantes que pesquisavam artes cênicas na USP, a companhia nasceu a partir do desenvolvimento de experimentações dramatúrgicas e suas múltiplas possibilidades. Daí veio o nome “Vertigem”, que remete aos lugares de risco, descoberta, criação, aventura e desequilíbrio em que os espetáculos se colocam.

Com mais de 15 montagens em sua trajetória, participações em festivais, turnês dentro e fora do país e atuações em residências artísticas, o grupo acumula mais de 20 indicações e prêmios em diversas categorias. Esses são alguns dos espetáculos premiados: “O Paraíso Perdido”, que ganhou o APCA de 1993 de Melhor Pesquisa de Linguagem; O Livro de Jó, o Prêmio Shell de 1995 de Melhor Espetáculo e Direção, para Antônio Araújo, que também ganhou a premiação por “Apocalipse 1,11”, em 2000; e “BR3”, em 2011, a Triga de Ouro (medalha de ouro) pela Melhor Realização de uma Produção na Quadrienal de Praga, na Tchecoslováquia.

Você já teve a sensação de que a sua memória não é sua? Ou que pode até ser sua / mas não reproduz exatamente o que aconteceu / tem alguma coisa errada / você não sabe o que é mas tem alguma coisa errada / você repassa tudo em detalhes / e de uma hora pra outra parece que tem algo fora do lugar / como se tivessem arrancado algumas páginas de um livro / ou colado umas figuras por cima. (Trecho da dramaturgia)

 

Palcos inusitados e processos criativos

A Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e lugares da cidade de São Paulo, como o Rio Tietê, o Hospital Humberto Primo, o Presídio do Hipódromo e a Igreja Santa Ifigênia, já foram palcos de montagens do Teatro da Vertigem, que tem como uma das grandes marcas para suas encenações a escolha por espaços não convencionais.

Lucienne Guedes, atriz da companhia há 20 anos, diz que “o objetivo é fazer apresentações em espaços que já tenham sua própria história. Atrelado a uma questão sensorial, além do enredo da dramaturgia, isso provoca no público um resgate de emoções”, explica.

Utilizada pelo grupo desde sua primeira montagem, “O Paraíso Perdido”, em 1992, essa experimentação de locais é conhecida nas artes plásticas como site specific, método artístico que promove uma interação com o espaço em que a obra é apresentada. Para Eliana Monteiro, diretora da companhia há dez anos, o processo de escolha acontece de acordo com o tema. “Em ‘O Livro de Jó’, por exemplo, nós optamos por fazer a montagem do espetáculo em um hospital porque era o ambiente relacionado às mortes causadas pela Aids. O intuito não era impactar, mas discutir e refletir. O espectador, que caminhava pelos corredores do Humberto Primo, sentia que aquilo havia sido uma realidade”, explica Eliana.

Outras duas características do Teatro da Vertigem são o processo colaborativo e a liberdade que o público tem para escolher o seu ponto de vista sob o espetáculo durante a apresentação, tanto como espectador quanto participante. Além da direção e encenação, áreas como cenografia, iluminação, música e vídeo também estão presentes nas produções das montagens. Segundo Guilherme Bonfanti, iluminador e um dos fundadores da companhia, essa mistura de elementos é salutar. “Com a forte presença dos discursos de todas as áreas, o grupo preserva a função única de cada um, mas mantém a criação conjunta, o que faz com que o trabalho se mantenha vivo durante tantos anos.”

 

Ficha Técnica | Enquanto Ela Dormia

Concepção e Direção: Eliana Monteiro Texto: Carol Pitzer Atriz: Lucienne Guedes Dramaturgismo: Antônio Duran Desenho de Luz: Guilherme Bonfanti Cenografia: Marisa Bentivegna Figurino: Marichilene Artisevskis Trilha sonora: Erico Theobaldo Vídeo: Bruna Lessa Voz off: Antônio Duran e Cibele Bissoli Assistente de Direção e Direção de Cena: Isabella Neves Assistente de Dramaturgismo: Bruna Menezes Assistente de Iluminação: Silbat Rodrigo e Diego Soares Assistente de Cenografia: Amanda Vieira Cenotécnicos: João Donda Galli Junior Costureira: Judite Gerônimo de Lima Operação de Luz: Pati Morin Operação de Som: Tomé de Souza Operação de Vídeo: Marcela Katzin Video Mapping: Michelle Bezerra Produção Executiva: Leonardo Monteiro Assistente de Produção: Marcelo Leão Assessoria de Imprensa: Márcia Marques - Canal Aberto Designer Gráfico: Andrea Pedro Fotos: Mayra Azzi Supervisão Geral: Eliana Monteiro
 

Serviço

Teatro da Vertigem - Mostra 25 anos 

Teatro Municipal do Cangaiba Flávio Império
R. Professor Alves Pedroso, 600 - Cangaiba
Laboratório Cênico | 31/07 e 01/08 - 14h às 18h
As Inscrições para o laboratório serão realizadas pelo e-mail: vertigem@teatrodavertigem.com.br  
Roda de Conversa | 01/08, das 18h30 às 20h20
Enquanto Ela Dormia 03 e 04/08, às 20h  

Centro Cultural da Juventude 
Av. Dep. Emílio Carlos, 3641 - Vila Nova Cachoeirinha
Laboratório Cênico | 07 e 08/08, das 14h às 18h
As Inscrições para o laboratório serão realizadas pelo e-mail: vertigem@teatrodavertigem.com.br  
Roda de Conversa | 08/08, das 18h30 às 20h20
Enquanto Ela Dormia 10 e 11/08, às 20h  

Tendal Da Lapa 
R. Constança, 72 - Lapa
Laboratório Cênico | 14 e 16/08, das 14h às 18h
As Inscrições para o laboratório serão realizadas pelo e-mail: vertigem@teatrodavertigem.com.br  
Roda de Conversa | 15/08, das 18h30 às 20h20
Enquanto Ela Dormia17 e 18/08, às 20h 

Vila Itororó
R. Pedroso, 238 - Bela Vista
Laboratório Cênico | 21 e 22/08 - das 14h às 18h
As Inscrições para o laboratório serão realizadas pelo e-mail: vertigem@teatrodavertigem.com.br  
Roda de Conversa | 22/08 – das 18h30 às 20h20
Enquanto Ela Dormia 24 e 25/08, às 20h

| +16 anos. Grátis. Retirada de ingresso 1 hora antes
 

ASSESSORIA DE IMPRENSA
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Márcia Marques
Fones: 11 2914 0770 | Celular: 11 9 9126 0425 | marcia@canalaberto.com.br

Daniele Valério
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