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Selo Sesc lança o álbum Cantos de Trabalho II

 

Disco surge a partir de pesquisa realizada com comunidades que ainda trabalham em mutirão e utilizam a música na lida, entoadas em diversas regiões do Brasil como Serra Preta (BA), Arapiraca (AL), Crato (CE), Caxias (MA), entre outros.
 

O Selo Sesc lança no mês de agosto o disco Cantos de Trabalho II, projeto idealizado pela pesquisadora Renata Mattar, que se dedica ao tema desde os anos 2000. Dois shows estão previstos para o lançamento, o primeiro no Sesc Santo Amaro, dia 16 (quinta-feira), às 21h, e o segundo no Sesc Santos , dia 17 (sexta-feira), às 20h.

Em 2007, quando se aproximou de um grupo de mulheres, as destaladeiras de Arapiraca, zona rural do agreste alagoano, que trabalham destalando o fumo (ato da retirada do talo da folha de fumo), Renata Mattar lançou o disco Cantos de Trabalho, com a Cia Cabelo de Maria, grupo ao qual pertence. O álbum mostrava parte da pesquisa que a musicista vinha realizando em vários Estados brasileiros, garimpando comunidades rurais que ainda trabalhassem em mutirão cantando ou que mantivessem vivas na memória aquelas canções da lida. No caminho, a pesquisadora encontrou mulheres cantando para descascar mandioca, pilar o milho, fiar o algodão, entre outros.

Agora, 11 anos depois do início do projeto, o grupo musical liderado por Renata Mattar e Gustavo Finkler volta aos cantos de trabalho, dando continuidade à sua pesquisa e mostrando mais de 20 cantigas recolhidas pela pesquisadora, em variadas localidades do país. Nesse volume especificamente, a comunidade homenageada vem de Serra Preta (BA), onde os trabalhadores rurais seguem trabalhando e cantando nos dias atuais, nas batas do milho e do feijão, mas reúne cantigas de comunidades de Arapiraca – AL (cocos e cantigas das destaladeiras de fumo), Crato – CE (cantigas de pisar o chão de barro e da colheita da batata), Barrocas – BA (cantiga de raspagem da mandioca), Caxias – MA (capina de roça), entre outras.

Em texto para o encarte, a musicista Leticia Bertelli faz um resumo sobre o resgate do álbum: “Os cantos de trabalho são expressão de encontro, alegria, aprendizado e compartilhamento. Neles, comunidades, trabalhadores e trabalhadoras experimentam o ritmo solidário do fazer junto. Puxados em mutirão ou como companhia para aquele que cumpre só o seu ofício, o cantar agrega força, alegra a lida, distrai o cansaço. Serve ainda para festejar e agradecer as graças colhidas, para chamar atenção ao produto que se vende ou se compra, para embalar, para ajudar a alma no seu rumo em direção ao céu”.

Com arranjos delicados que contornam ofícios duros, Cantos de Trabalho II traz a narrativa de viagens e da tradição oral brasileira, tão preciosa e precisa nos cantos do país. “Os sons do pilão, os grãos, as folhas de fumo, inspiram os arranjos de Gustavo Finkler, que lhes deu novos timbres e formas”, diz Bertelli. No disco, flautas, violões, trombone, violino, violoncelo, viola e percussão, da Orquestra de Bolso POIN, trabalho paralelo dos integrantes da Cia Cabelo de Maria, dão a cada cantiga sua individualidade. Gustavo Finkler revela, “aqui, o repertório sai de seu contexto original para se transformar em ofício do ouvir”.

O disco resgata a atmosfera das comunidades visitadas por Renata Mattar e traz um novo elemento, o Samba de Roda, típico da região de Serra Preta, na Bahia, e também o Coco de Roda, ensinado pelo mestre Nelson Rosa de Arapiraca (AL). Ampliando o time nos vocais, além da própria Renata Mattar, participam do disco: a cantora Juçara Marçal, convidada nas faixas Minervina e Fui na Minha Roça, e Jô Cena, que interpreta Sibiri. Em São Paulo há mais de trinta anos, Jô cantava com sua mãe, descascando mandioca em Santa Bárbara (BA), comunidade muito próxima de Serra Preta.
 

Cantos de Trabalho II – [repertório do CD]

1. Quero Ver Rodar - (cantiga de pisar o chão de barro, Crato (CE), transmitida pelas Mulheres da Batateira)

2. Hoje Chove e Amanhã Serena - (cantiga de destalar o fumo, Vila Fernandes - Arapiraca (AL), transmitida por Rosália Gomes dos Santos)

3. Minervina - (coco de roda usado para pisar o chão de barro, Vila Fernandes - Arapiraca (AL), transmitido por Rosália Gomes dos Santos)

4. Acorda Mamãe - (cantiga de pilar o milho, comunidade de São Nicolau - Santa Bárbara (BA), transmitida por Dona Antônia Pereira de Brito) 

5. Casa de Palha - (cantiga de capina de roça, Caxias (MA), transmitida por Zé do Nego)        

6. Ele Avoou - (cantiga de colher arroz, Crato (CE), transmitida pelas Mulheres da Batateira)

7. Xô Gavião - (cantiga de bater o milho, Serra Preta (BA), transmitida por Sr. Tininho )

8. Fulô do Dia - (cantiga de destalar o fumo, Vila Fernandes – Arapiraca (AL), transmitida pelas Destaladeiras de Fumo)

9. Fui na Minha Roça - (cantiga de capina de roça, Caxias (MA), transmitida por Pelé)

10. Caju, Caju - (cantiga da raspagem de mandioca, comunidade de Barreiras –Barrocas (BA), transmitida pelas mulheres da casa de farinha pertencente à Maria Percília Pormuceno Pereira)

11. Folha da Mandioquinha - (cantiga da raspagem de mandioca, comunidade de Barreiras – Barrocas (BA), transmitida pelas mulheres da casa de farinha pertencente à Maria Percília Pormuceno Pereira)

12. Canoeiro - (cantiga de bater o milho, Serra Preta (BA), transmitida por Seu Tininho)

13. Pisa Morena pra Ninguém Ver - (coco de roda de pisar o barro, Vila Fernandes – Arapiraca (AL), transmitido pelo Mestre Nelson Rosa)

14. Tina Tá Tá - (coco de roda de pisar o barro, Vila Fernandes – Arapiraca (AL), transmitido pelo Mestre Nelson Rosa)

15. Bata do Feijão – (cantiga para bater o feijão, Serra Preta  (BA), transmitida por Seu Tininho)

16. Vou-me Embora pra Bahia - (cantiga de pilar o milho, Quixabeira da Matinha dos Pretos (BA), transmitida por Dona Chica no documentário “Cantos da Matinha” de Iris de Oliveira)

17. Enxada Nova - (cantiga de bater o milho, Serra Preta (BA) transmitida por Seu Tininho)

18. Sibiri - (cantiga de descascar mandioca, Baixa Grande (BA), transmitida por Jô Cena)

19. Casar pra Quê - (cantiga de destalar o fumo, Vila Fernandes – Arapiraca (AL), transmitida pelas Destaladeiras de Fumo)

20. Lavadeira – (cantiga de lavadeiras, Serra Preta (BA), transmitida por Emília Teles de Jesus)

21. Cajueiro Abalador - (cantiga das destalar o fumo, Vila Fernandes – Arapiraca (AL), transmitida pelas Destaladeiras de Fumo)

22. O Galo Cantou - (cantiga de destalar o fumo, Vila Fernandes – Arapiraca (AL), transmitida pelas Destaladeiras de Fumo)

23. O Dia Amanheceu - (samba de roda, Serra Preta e Ipirá (BA), transmitida pelo grupo de sambadores de Serra Preta e Ipirá )

 

FICHA TÉCNICA

Grupo de Sambadores:

José da Hora Mascarenhas dos Reis - violão e voz

Cosme da Silva - voz

Jaime Moreira - voz

Manoel Moreira - voz

Miguel Nascimento - voz

Osvaldo da Silva - voz

José Pinheiro - pandeiro e voz

Arranjos e produção musical: Gustavo Finkler

Pesquisa e direção musical : Renata Mattar

Gravação e mixagem e masterização: Beto Mendonça

Gravação em Serra Preta: André Magalhães e Beto Mendonça

Produção executiva: Circus produções musicais

Gravado no Estúdio 185 (SP)

Produção das gravações em Serra Preta Clara Ribeiro Camargo

Agradecimentos:

Ao Mestre Nelson Rosa, que nos deixou essas preciosas memórias e foi um grande amigo e companheiros de tantas andanças. As Destaladeiras de Fumo de Arapiraca, ao professor Zelito Leite, que nos revelou os tesouros musicais escondidos em Serra Preta (BA). Angélica Lima e Ângelo Lima Leite. Aos trabalhadores rurais de Serra Preta, especialmente ao Seu Tininho que resiste mantendo as tradições das Batas do Milho e feijão. Maria do Socorro Campos, Luiz Cláudio Mascarenhas, Raquel Lima dos Santos e a Prefeitura Municipal de Serra Preta (BA). Por fim, aos companheiros de viagem pelo sertão da Bahia, Clara Ribeiro Camargo, André Magalhães, Beto Mendonça, Raul Lorenzeti e Renan Abreu.

 

Selo Sesc

O Selo Sesc tem o objetivo de registrar o que de melhor é produzido na área cultural. Constrói um acervo artístico pontuado por obras de variados estilos, da música ao teatro e cinema. Em 2018 lançou dezenas de discos, entre eles “Debut” de Paulo Martelli, “A Paixão Segungo Catulo”, dirigido por Mário Sève, “Mar Virtual” de Eugénia Melo e Castro, “Viola Paulista”, dirigido por Ivan Vilela, “Tradição Improvisada”, de Nelson da Rabeca e Thomas Rohrer. Além do Box de DVDs Movimento Violão e os lançamentos exclusivos para o digital: “Basa Black Bossa” de Alexandre Basa e a série “Sessões Selo Sesc”, com gravações de shows ocorridos nas unidades do Sesc: #1: Orquestra Mundana Refugi, #2: Siba e a Fuloresta, #3: Metá Metá.

Em 2017, o Selo Sesc colocou na praça os CDs “Aluê” (Airto Moreira), “A poesia de Aldir Blanc” (Maria João), “Avenida Atlântica” (Guinga e Quarteto Carlos Gomes), “AM60 AM40 (Antonio Meneses e André Mehmari), “No Mundo dos Sons” (Hermeto Pascoal & Grupo), “Carlos Gomes, Alexandre Levy e Glauco Velásquez”(Quarteto Carlos Gomes), “Fruta Gogoia: Uma Homenagem a Gal Costa” (Renato Braz e Jussara Silveira), “Guarnieri Nepomuceno” (Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e Cristina Ortiz), “Box Villa-Lobos” (Quartetos Bessler-Reis e Amazônia), “Com Alma” (Banda Mantiqueira), “Festival Música Nova” (Ensemble Música Nova), “Saudade Maravilhosa” (Mario Adnet),  e o DVD “Alcance dos Sentidos” (Ivaldo Bertazzo).

Zumbido

Zumbido, uma publicação Selo Sesc, é a revista digital sobre música do Selo Sesc e está́ disponível no aplicativo mobile do Sesc em São Paulo (iOS e Android) e no Medium (medium.com/zumbido).

A revista chega para discutir a música como linguagem, sem ignorar o componente afetivo que nos move ao dar o play num fonograma, baixar a agulha no vinil ou vasculhar o encarte de um CD. Com edições temáticas, a revista serve como um espaço para reflexão sobre os diversos aspectos da cadeia musical. Para cada número, são convidados compositores, escritores, jornalistas e músicos para a produção dos textos.
 

Serviço:

Selo Sesc lança CD Cantos de Trabalho II

Preço sugerido: R$ 20

Disponível nas lojas da rede Sesc e livrarias parceiras de todo o Brasil.

Mais informações: sescsp.org.br/loja


Shows de lançamento

Cantos de Trabalho II

Sesc Santo Amaro

Dia: 16 de agosto, quinta-feira

Horário: 21h

Local: Teatro (279 lugares)

Ingressos: R$ 17,00 (inteira), R$ 8,50 (meia: estudante, servidor da escola pública, mais de 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência), R$ 5,00 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: 90 minutos

Mais informações (11) 5541–4000 - acesse o portal www.sescsp.org.br/santoamaro

Credenciamento: imprensa@santoamaro.sescsp.org.br

 

Sesc Santos

Dia: 17 de agosto, sexta-feira

Horário: 20h

Local:  Teatro (765 lugares)

Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia: estudante, servidor da escola pública, mais de 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência), R$ 6,00 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

Classificação indicativa:  12 anos

Duração: 70 minutos

Mais informações (13) 3278-9800 acesse o portal www.sescsp.org.br/santos  

Credenciamento: imprensa@santos.sescsp.org.br

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