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Deslocando de maneira farsesca a ditadura para os dias atuais, RODA MORTA reestreia em janeiro

 

Peça que estreou em outubro de 2018 retorna em janeiro com temporada no TUSP e no teatro Pequeno Ato. Grupo traz à cena uma espécie de delírio sobre a ditadura militar no Brasil

 

A Cia Teatro do Perverto se debruça na pesquisa sobre psicopatologias sociais e violência sistêmica; em Roda Morta estão a farsa e a hiper teatralidade na encenação sobre clichês da ditadura

 

Após a temporada de estreia em outubro de 2018, Roda Morta, da cia. Teatro do Perverto, reestreia em janeiro de 2019. De 24 de janeiro a 03 de fevereiro, a companhia faz temporada no TUSP (R. Maria Antonia,294, Vila Buarque), e de 07 a 23 de fevereiro, no teatro Pequeno Ato (R. Dr. Teodoro Baima, 78, Vila Buarque), onde estreou no ano passado.

Com os atores Biagio Pecorelli, Felipe Carvalho, Ines Bushatsky, Mariana Marinho, Pedro Massuela e o ator substituto Mau Machado, dirigidos por Clayton Mariano a partir do texto de João Mostazo, e com trilha sonora original composta por Gabriel Edé, o espetáculo é o terceiro trabalho da Cia. Teatro do Perverto. Na temporada de estreia, de outubro a novembro de 2018, a peça teve excelente repercussão crítica e de imprensa e casa cheia ao longo de toda a temporada.

O espetáculo trabalha com clichês do período da ditadura militar como luta armada, perseguição política e violência de Estado, colocando-os em perspectiva diante da crise atual em chave farsesca. Na trama, um grupo de militantes deslocado no tempo decide sequestrar um ex-torturador que está em coma em uma clínica para pacientes com Alzheimer.

“Colocar essas questões em chave de farsa permite uma liberdade que um realismo histórico não teria. A gente traz a história para a peça, mas ela vem na forma de clichês, como se fosse uma fantasmagoria, um jogo de deslocamentos, de inadequações, que está na peça toda, do texto à encenação e ao figurino. Existe um ridículo consciente, um deboche satírico. Na primeira temporada, tivemos uma ótima reação do público. Às vezes as pessoas gargalham do início ao fim, porque a farsa traz um aspecto cômico para o espetáculo. E às vezes o que pega as pessoas é algo mais denso, mais sério, que também está ali. A coisa fica nessa gangorra, entre o horror e o escracho”, comenta o autor João Mostazo.
 

Sem compromisso documental e com uma trama não linear, em que a saltam as contradições e incoerências dos discursos das personagens, a montagem, que tem direção de Clayton Mariano, diretor e ator do grupo Tablado de Arruar, se apropria do gênero farsesco, por vezes beirando o esdrúxulo, com referências que vão do Cinema Marginal brasileiro até o teatro do diretor alemão Frank Castorf, abusando da teatralidade. A interpretação tem excessos de representação que parecem ir na contramão da onda performativa que figura no teatro paulista dos últimos anos.

A primeira coisa do texto que me chamou a atenção foi o fato de estar classificada como uma farsa psicótica. Foi a forma farsesca que me pareceu ser algo atual. Nos últimos anos no Brasil vimos uma explosão de peças que ora mais, ora menos, se apropriavam daquilo que se convencionou chamar genericamente de teatro performativo. Particularmente, sinto que caminhamos em sentido oposto. A teatralidade e sobretudo a farsa, o fingimento descarado, os tipos, as diversas formas de fake, os excessos de representação, tudo isso parece traduzir mais a nossa atualidade”, dizi o diretor.

Na segunda temporada, o grupo ocupa entre janeiro e fevereiro dois teatros no centro de São Paulo, a Sala Multiuso do TUSP, na rua Maria Antônia, e o Pequeno Ato.

A gente já há algum tempo queria estar no TUSP. É um espaço que tem tudo a ver com a peça, tanto pelo histórico da companhia, que nasceu em parte na Universidade de São Paulo, quanto pelo histórico do próprio espaço, cuja trajetória está diretamente conectada com o tema que a peça retrabalha. O episódio da batalha da Maria Antônia, por exemplo, é emblemático daquele período; ele não é referido diretamente pela peça, mas poderia ser, porque para a nossa geração, que não viveu aquela época, é um dos episódios que chegam também já, depois de tanto tempo, quase como um clichê, um lugar comum quando a gente fala sobre o assunto. O movimento da peça é transformar esses episódios históricos em clichês para discutir sobre como a gente, hoje, vê o nosso passado. Mais do que nunca, esses assuntos estão na ordem do dia, têm que ser discutidos, retrabalhados”, conclui o dramaturgo.


Sobre o grupo

"Roda Morta" é o terceiro espetáculo da Cia. Teatro do Perverto. O trabalho se iniciou após a temporada de estreia da peça "A Demência dos Touros" (apresentada em São Paulo, entre junho e julho de 2017). A peça estreou em outubro de 2018 no Teatro Pequeno Ato, em São Paulo. Continuando na linha de pesquisa da Companhia, entre psicopatologias sociais, violência sistêmica e ação política, o trabalho de traços farsescos e surrealistas da Cia. Teatro do Perverto se concentra na criação dramatúrgica autoral e na atenção e treinamento para o trabalho de atuação, conjugando experimentação literária nos textos com elementos pop na encenação e composição de trilha sonora autoral.


Encenação

Na peça o ambiente é fechado, com poucos objetos de cena, móveis gastos pelo tempo, com alguns objetos que marcam a passagem de época, como uma cama velha e uma tina d’água. Figurino e cenário também foram criados sobre esse eixo. A juventude revolucionária deslocada no tempo, por exemplo, se apresenta de forma caricata, escancaradamente fora de época. Casacos de pele, boinas, perucas e óculos escuros - todo esse aparato adquire um elemento cômico, ao aparecer deslocado por uma época em que a própria ideia de Revolução se vê também fora de lugar.
 

Histórico

A Cia. Teatro do Perverto foi fundada em 2014, a partir do encontro de Ines Bushatsky e Pedro Massuela, ex-estudantes do curso de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo, com João Mostazo, poeta e dramaturgo. A pesquisa da companhia se baseia na ideia de que a sociedade em que vivemos é uma sociedade fundamentalmente perversa, violenta e desigual. Para além, os textos, encenações e atuações farsescas dos espetáculos da companhia - que fazem um pastiche dos recursos melodramáticos presentes na indústria cultural - tentam dar conta das anomias sociais a partir de uma forma que incorpore a incompletude, o nonsense, a incoerência, a contradição, sugerindo a utilização da comédia e do humor como veículos de apreensão do drama humano muitas vezes mais poderosos do que a tragédia ou o próprio drama.

O primeiro espetáculo da companhia, "Fauna Fácil de Bestas Simples", estreou em 2015, com direção de Pedro Massuela, texto de João Mostazo, trilha e direção musical de Vinícius Fernandes, e tendo no elenco Ines Bushatsky, Felipe Carvalho, Vicente Antunes Ramos e Caio Horowicz. A peça cumpriu temporada entre novembro e dezembro daquele ano e, no ano seguinte, integrou o festival II ETU - Encontro de Teatro Universitário. Acompanhando a trajetória de duas personagens moradoras de rua que passeiam pela cidade de São Paulo, a peça visitava diversas situações de violência urbana, como os abusos policiais, a atuação cínica e coercitiva do mercado imobiliário e o descaso social para com a situação de vulnerabilidade extrema de pessoas sem condição de moradia digna.

Em junho de 2017 estreou no Teatro Pequeno Ato, em São Paulo, o espetáculo "A Demência dos Touros", com direção de Ines Bushatsky, texto de João Mostazo – a sua segunda peça escrita para o grupo –, dramaturgismo da ativista trans e pesquisadora Dodi Leal e provocação de Luiz Fernando Ramos. No elenco estavam Felipe Lemos, Rafael de Sousa, Jorge Neto, Pedro Massuela e Felipe Carvalho. A peça contava ainda com trilha sonora original, composta e executada ao vivo por Gabriel Edé e Vinícius Fernandes, e com direção de arte, cenografia e figurinos assinados por Lídia Ganhito. Refletindo sobre a relação entre segregação urbana e performances de gênero a partir da questão trans, o espetáculo teve a temporada de estreia prorrogada nas últimas semanas por conta da alta demanda de público, tendo tido destaque na imprensa e repercussão crítica.

 

Ficha técnica

Texto: João Mostazo
Direção: Clayton Mariano
Elenco: Biagio Pecorelli, Felipe Carvalho, Ines Bushatsky, Mariana Marinho, Pedro Massuela
Direção Musical: Gabriel Edé
Cenografia: Fernando Passetti
Luz: Clayton Mariano
Figurinos: Lídia Ganhito e Maria Rosalem
Arte Gráfica: Lídia Ganhito
Produção Executiva: Gilberto Ferreira
Direção de Produção: Lídia Ganhito e Maria Rosalem
Produção de Arte: Lídia Ganhito e Maria Rosalem
Realização: Cia. Teatro do Perverto

Serviço
Roda Morta


De 24 de janeiro a 03 de fevereiro de 2019
Quinta a sábado, às 21h e domingos, às 20h
Onde: TUSP | Centro Universitário Maria Antônia | sala Multiuso
R. Maria Antônia, 294, Vila Buarque
Quanto: R$ 30 (R$15 meia) – 70 lugares (venda na bilheteria, no dia da apresentação, e online antecipada no sute www.sympla.com)

De 07 a 23 de fevereiro de 2019
Quinta a sábado, 21h
Onde: Teatro Pequeno Ato - R. Dr. Teodoro Baima, 78, Vila Buarque
Quanto: R$ 40 (R$ 20 meia) – 40 lugares (venda na bilheteria, no dia da apresentação, e online antecipada no site sympla.com.br)

Duração: 70 min. | Classificação: 16 anos.


Para entrevistas, fotos e outras informações:

Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
Fones: 11 2914 0770 Celular: 11 9 9126 0425 (Márcia) | (11) 9 8435 6614 (Daniele)

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